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    Colisões bestiais (particula)res de Kátia Bandeira de Mello Gerlach R$ 14,90

    “Logo na primeira frase, o projecto: “Desde o bosão de Higgs, gente e bestas esbarram-se.” Animais, humanos e acontecimentos: eis o que esbarra, o que colide, o que provoca acidentes.

    Muitos bichos — formigas, papagaios. Bichos grandes e pequenos, bichos que andam na cabeça (por cima e por dentro). A linguagem rápida; as frases descrevem, acertam nos eventos observados com olho clínico. Olho que se mexe.

    Muitos autores convidados (gentileza da hospitaleira Kátia): Cortázar, Borges, Bolaño, David Foster Wallace e etc.

    Mendigos e muchachas subnormais, mulheres que protegem e julgam. Personagens como Juarez, jogador, pornógrafo e muitas coisas — e ainda etc. Humor e sarcasmo, sempre presentes.

    A minha amiga Kátia Bandeira de Mello Gerlach escreveu um belíssimo livro: ritmado com a batida que convém à língua; histórias e frases em jazz corrido; jazz alegre. Deixo um exemplo, de “Cuspe no aquário”: “Se me perco nas ruas numeradas, zombam de mim? Os peixes morrem no aquário. Alimento-os nas manhãs. Correm afoitos para engolirem o pó granulado de odor marinho, e à tardinha eles já, já morrem. Por vezes, nascem filhotes e não sobrevivem, solúveis como os grãos. Difícil distinguir mãe e pai; nadam sem expor o sexo, embora corram uns atrás dos outros com ímpeto em momentos espontâneos e certos. Perecem para a minha redenção: um mecanismo medonho nos liga e transcende. Olham-me pela transparência do vidro e reconhecem-me, a mulher perdida nos números, a mulher ¥p¡@.”

    Este COLISÕES, de Kátia Bandeira de Mello Gerlach, é um livro insolúvel, ele aí está — alegrando o espaço.”

    Gonçalo M. Tavares

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    Um homem burro morreu de Rafael Sperling R$ 14,90

    “O escritor Rafael Sperling é sem noção, digo desde logo. Para você ter ideia, este Um homem burro morreu é seu segundo livro de contos. Isso mesmo, um livro de contos contemporâneo e brasileiro – onde já se viu? Todo mundo sabe que conto não vende, que quase ninguém lê conto nesse país e que são poucos os prêmios para contistas… Ainda assim, Sperling dá uma de criança travessa e vem com este livro. É mole? Não espere o realismo social, a autoficção e a exploração dos universos íntimos que predominam nas publicações atuais: além de sem noção, Sperling é abusado. Investe no experimentalismo e dialoga com as vanguardas dos anos 20 e 30. Em 27 narrativas breves, mistura sarcasmo com elementos grotescos e nonsense, embalados por uma linguagem coloquial que remete ao cinema, ao roteiro de TV, à publicidade, à dramaturgia, à musica e à poesia. Esse hibridismo de formas, por sinal, é marca de Sperling: o incauto leitor é conduzido por seu reino literário subterrâneo, onde há espaço de sobra para a ultra-violência, a sexualidade agressiva, o absurdo cotidiano e a aniquilação. Seja através de Caetano Veloso se preparando para atravessar uma rua do Leblon ou de histórias nada sutis contadas por uma babá, Rafael Sperling parte do normal, do ordinário para chegar ao seu bizarro universo simbólico, onde as ações despropositadas e aparentemente vazias de seus personagens ganham contornos de crítica social. A violência quase sempre está presente, provocando o leitor mais recatado. Rafael Sperling é um autor sem noção, abusado e provocativo. Por isso tudo, nesses tempos de mesmice, um autor necessário.” (Raphael Montes)