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ISBN: 9788584741076

Correspondência incompleta

de Ana Cristina Cesar

Este livro de cartas pode ser lido como uma espécie de autobiografia da poeta carioca Ana Cristina Cesar. Em uma das cartas, a própria Ana diz que “cartas e biografias são mais arrepiantes que a literatura”, e já sugeria a sua amiga Ana Candida a publicação futura da correspondência entre as duas. Embora sem contar com seu voto e com seu veto, esta coletânea vai ao encontro de seu desejo. O período coberto é o de 1976 a 1980, e revela Ana C. na sua intimidade, com algumas das melhores amigas que fez durante a vida. Esta edição ainda contém dois áudios raros: uma aula de Ana C. na PUC-RJ e uma entrevista para o programa de rádio Café com Letra. Organização: Heloisa Buarque de Hollanda e Armando Freitas Filho. Atenção: os arquivos de áudios estão disponíveis apenas para o aplicativo kobo em tablets e smartphones.

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Este livro de cartas pode ser lido como uma espécie de autobiografia da poeta carioca Ana Cristina Cesar. Em uma das cartas, a própria Ana diz que “cartas e biografias são mais arrepiantes que a literatura”, e já sugeria a sua amiga Ana Candida a publicação futura da correspondência entre as duas. Embora sem contar com seu voto e com seu veto, esta coletânea vai ao encontro de seu desejo. O período coberto é o de 1976 a 1980, e revela Ana C. na sua intimidade, com algumas das melhores amigas que fez durante a vida. Esta edição ainda contém dois áudios raros: uma aula de Ana C. na PUC-RJ e uma entrevista para o programa de rádio Café com Letra. Organização: Heloisa Buarque de Hollanda e Armando Freitas Filho. Atenção: os arquivos de áudios estão disponíveis apenas para o aplicativos de leitura em tablets e smartphones.

ISBN: 9788584741076
Selo: HB
Data de publicação: 2016
Páginas: 314
Organizador: Heloisa Buarque de Hollanda, Armando Freitas Filho

Folha de S.Paulo Cartas matam saudade de Ana Cristina Cesar, por CYNARA MENEZES Bela, talentosa e muito amada -que razões secretas guardaria no coração a poeta Ana Cristina Cesar para pular aos 31 anos do 7º andar de um edifício de Copacabana, no dia 29 de outubro de 1983? Quem atravessou a adolescência encantado com os poemas de Ana em "A Teus Pés", publicado em 82 pela inesquecível coleção da editora Brasiliense "Cantadas Literárias", não encontrará a resposta na edição de algumas de suas cartas, com lançamento previsto para hoje, no Rio. No dia 20, será lançado outro volume, "Crítica e Tradução", com os trabalhos teóricos da autora carioca, ambos com co-edição do Instituto Moreira Salles, que passa a ser curador de sua obra. Nas cartas, escritas a quatro amigas, três ex-professoras -Clara Alvim, Heloisa Buarque de Hollanda e Maria Cecilia Londres Fonseca- e uma colega de faculdade -Ana Candida Perez-, o que Ana C. faz não é dar respostas a seu ato, mas matar nos leitores a saudade de sua escrita. São cartas em sua maioria amenas e cotidianas, com momentos de altos e baixos que qualquer um teria. "Mas parece que os dela eram mais bonitos", sugere Heloisa Buarque, organizadora, ao lado do poeta Armando Freitas Filho, da edição. Heloisa e Ana C. se conheceram na época em que a primeira preparava a publicação da antologia "26 Poetas Hoje", de 76, em que a poeta seria "descoberta". Heloisa se tornaria mais tarde sua orientadora de mestrado, além de amiga. "Não vejo (tendências suicidas) ali, não. Vejo, de qualquer maneira, que perpassa nelas muita sofreguidão", diz Heloisa sobre as cartas de Ana, escritas entre 76 e 80. Das que ela mesma recebeu, lamenta hoje, guardou apenas metade, apesar da aparência atraente da correspondência, sempre em papel especialmente escolhido, com gravuras coladas e desenhos que são reproduzidos no livro. Ana Cristina Cesar, por outro lado, não guardou nenhuma carta recebida, o que impossibilitou o contraponto que daria ainda mais interesse à leitura de sua correspondência de temas variados: a repressão dos 70, tradução, amores. "Ela rasgou toda a correspondência que recebia", conta Armando Freitas Filho, o amigo a quem, antes de morrer, deixaria o espólio agora repassado ao Instituto Moreira Salles. O poeta foi a última pessoa a falar com Ana. Ele conta: "Falamos por telefone, ela perguntou se eu iria passar em sua casa e eu disse que não, porque estava gripado. A Ana estava em depressão, mas a gente achava que estava se recuperando". Cerca de 40 minutos depois de colocar o telefone no gancho, o aparelho soou novamente. Era a mãe de Ana Cristina, Maria Luiza, que dava a notícia do suicídio. "Até hoje penso no que teria acontecido se eu tivesse ido lá naquele sábado", diz Freitas Filho. "A sensação que eu tive é que ela escapou por entre os dedos de todos", completa, com uma culpa que não lhe cabe ter: não fossem os esforços dele e dos demais amigos, talvez hoje a obra de Ana Cristina Cesar estivesse esquecida. Como diz Heloisa Buarque, exatamente ao contrário do amigo: "A gente não solta dela".
1952
Ana Cristina Cesar nasceu em Niterói. Poeta e tradutora, conhecida como Ana C., é considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo da década de 1970, e tem o seu trabalhado muitas vezes vinculado ao movimento de Poesia Marginal. Em 2016 foi homenageada na Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP. Da autora a e-galáxia publicou um volume de cartas organizado por Heloisa Buarque de Hollanda e Armando Freitas Filho, Correspondência incompleta e a coletânea que lançou a poeta 26 poetas hoje. Sobre a autora a biografia de autoria de Italo Moriconi.

“Correspondência incompleta”

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