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Como fazer bonito na autopublicação
Em 5 de setembro de 2016 | 0 Comentários

Sempre me encantei com as possibilidades do mercado editorial independente: liberdade criativa e experimentação formal. É muito excitante a possiblidade de se produzir cultura fora das regras do mercado tradicional.

É também um mercado que cresce exponencialmente e começa a enfrentar as primeiras dores do processo de profissionalização. Quero discutir uma delas hoje com vocês:

Autores independentes devem fazer tudo por conta própria para publicar seus livros ou é preciso contratar profissionais do mercado para ajudá-los na edição da obra? Ou seja, o autor que está lançando seu livro de forma independente, fora das relações tradicionais de mercado entre autor e editora, deve investir dinheiro em seu projeto?

Depois de mais de 15 anos trabalhando no mercado editorial, minha resposta é categórica: sim, claro! Afinal, ninguém seria capaz de escrever, editar, revisar, criar uma capa e paginar o próprio livro com qualidade profissional.

Mas aprofundemos um pouco mais. Se estamos falando em mercado de publicação independente, estamos pensando em transações comerciais, em lucro ou prejuízo. Nos EUA o mercado de self-publishing (no Brasil publicação independente ou autopublicação) é robusto o bastante para nos mostrar alguns dados e caminhos sobre o assunto. Em uma pesquisa realizada pela Digital Book World, ficou demonstrado que apenas um pouco menos da metade dos autores independentes contrata serviços, e os que contratam gastam em média de US$ 500 a US$ 1.000. Os serviços mais contratados são design de capa e paginação.

Os maiores sucessos em vendas no mercado independente americano representam também os maiores investimentos por parte dos autores, principalmente em capa e edição, mas também contratando assessoria para marketing e divulgação. São autores que fazem da publicação de seus próprios livros um investimento bem planejado. Há autores que obtém tanto sucesso, que recusam contratos com editoras convencionais simplesmente porque financeiramente não compensa. Claro que best-sellers são sempre casos fora da curva. Mas já tem muita gente pagando as contas com o lucro das vendas de seus livros.

Esses dados não demonstram uma lei rígida de causalidade entre investimento e vendas. Há muitos outros fatores em jogo, como a quantidade de livros publicados pelo autor, o gênero da obra e o tipo de interação com leitores em potencial.

Mas a lição que fica dessa pesquisa é que a publicação independente deve ser pensada de forma profissional. Que uma equipe trabalhando em um livro aumenta tremendamente as chances de sucesso. E que o mercado independente a cada ano mostra mais força e maior profissionalização.

Tiago Ferro
editor

imagem: Vectors Market