Poesia (39)

Mostrando 25–36 de 39 resultados

Ordenar por:
  • img-book
    O náufrago no istmo de Wu de Fernando José Karl R$ 9,90

    As escrituras de Fernando José Karl são um patrimônio considerável de sua fértil imaginação. São seus abismos em formas de palavras, assim como suas pinturas lembram paisagens caligrafadas. Suas figurações aludem a coisas que são o que são, mas também podem ser outras, o um é o outro de Rimbaud. Seus mestres são Wallace Stevens, Manuel Bandeira, Sylvia Plath, e, por que não, a chuva.

    O náufrago no istmo de Wu espraia espasmos como as notas dissonantes de Charlie Parker. Pegar o pássaro em pleno voo, o onírico em plena deambulação e fazer com isso fábulas insólitas, riscadas, rabiscadas, significadas. Fábulas do reino animal, vegetal e mineral, objetivação de uma escotilha, de um tango, de uma orquestra. O planeta na hora da sesta, do ócio, do sonambulismo criativo que olha pela fresta do olho.

    Karl tem razão: só as tempestades não envelhecem no istmo de Wu. Elas viram aluvião. Viram o menino Karl dando cambalhotas, o mundo de pernas ao avesso, e isso é arte, o que se mede sem começo.

  • img-book
    Outras ruminações – 75 poetas e a poesia de Donizete Galvão de Donizete Galvão R$ 14,90

    Esta é uma coletânea rara, feita em torno de temas essenciais à poesia: a amizade e a imortalidade. Assim, em vez de reunir poetas representativos de uma geração ou de dividi-los por regiões do país ou em movimentos artísticos, encontramos tão bem ordenada a produção de 75 poetas contemporâneos – a maioria brasileiros – apresentando o seu melhor e com uma solenidade inédita: trata-se de dialogar com os versos de 15 poemas de Donizete Galvão. O poeta que partiu na madrugada do dia 30 de janeiro de 2014, aos 58 anos, e que agora sobrevive tanto em seus versos, como renasce nos poemas desta antologia.

    Em um dos seus “Ensaios” chamado “Da Amizade”, Montaigne, o famoso filósofo francês do século XVI, descreve o trabalho do muralista que pintava a grande parede de seu castelo. Dizia para que observassem que quase todo o trabalho eram arabescos que dirigiam a atenção para o tema central de sua pintura; e concluía que toda a sua obra, da vida inteira, eram os arabescos que escreveu e que levam a atenção do leitor para a ideia central: “O discurso da servidão voluntária”, ensaio de seu amigo Étienne de La Boétie.

    A obra de Montaigne é caudalosa, monumental; enquanto o discurso de seu amigo possui apenas 37 páginas – e Étienne mais não fez porque morrera cedo.

    Charles Sanders Peirce, matemático e semiótico norte-americano, do século XIX, defendia sermos imortais toda vez que alguém nos lesse e entendesse clara- mente nossas ideias, trazendo em pensamento a nossa visão do mundo.

    Os 75 poetas desta edição também constroem arabescos voltados para os poemas de Donizete Galvão e se insurgem contra a sua morte: conversam com ele, o corporificam, o vivificam e o inesperado acontece: a poesia contemporânea derrota a morte de seu amigo poeta.

    “Quem me lê me cria” – vaticina o verso de Donizete Galvão. E assim se fez nos diversos poemas, como diz Renan Nuernberger: “encontrá-lo outra/vez (Doni)/ nessa tarde/parada em/seu olhar (grave/ruminando/o mundo)”.

    Esta é uma obra rara. Se não a mais completa, certamente a mais verdadeira reunião da poesia brasileira contemporânea.

    LEANDRO ESTEVES e LEUSA ARAUJO

  • img-book
    Passa pra dentro, menina! de Olga Curado R$ 14,90

    Para começar, o título deste livro me pega pelo ouvido. É uma voz (imperiosa) que vem de longe, lá da infância. Passo pra dentro do livro e sigo o percurso poético/existencial de Olga Curado em busca de um encontro/reencontro consigo mesma, numa viagem de volta a um mundo de singelezas. Mas nem só de singelezas vive a poesia, muito menos este livro. A poeta se interroga, pergunta, apresenta os seus achados: (“a vida é paralela aos shopping centers”), sente vontade de comer melaço de rapadura em Goiás Velho, onde se pode (ou se podia) andar descalço, cumprimentar na esquina a menina que vendia banana ourinho, cantar na procissão de Nossa Senhora do Rosário… rezar um rosário! Na sua caminhada, passam os temas eternos, como o amor, a paixão, a liberdade, ou da atualidade, como a psicanálise, a aids e uma cosmopolita Babilônia revisitada chamada Central Park.

    (trecho da apresentação, por Antônio Torres)

  • img-book
    Poemas 1999-2014 de Tarso de Melo R$ 19,90

    Poemas 1999-2014 reúne os seis livros de poesia de Tarso de Melo (Santo André, 1976) e poemas esparsos mais recentes, marcando os 15 anos da edição do primeiro de seus livros, “A lapso”, de 1999, que foi seguido por “Carbono” (2002), “Planos de fuga e outros poemas” (2005), “Lugar algum” (2007), “Exames de rotina” (2008) e “Caderno inquieto” (2012), todos lançados originalmente em alguns dos mais prestigiados catálogos da poesia brasileira contemporânea. Nas palavras do poeta e crítico Guilherme Gontijo Flores, a obra de Tarso de Melo, “além de impressionar pelos poemas, o que mais chama atenção – a meu ver – é o percurso. Tanto o percurso interno dos livros, onde estão cada um dos poemas, quanto o percurso maior entre os livros (…). Esse percurso é marcado por uma crescente concretude (nada de concretismo) da linguagem e dos temas – Tarso faz parte de uma tradição de embate com o espaço urbano, de confrontamento direto com o presente, em que a poesia não serve de subterfúgio, escapatória, ou salvação. (…) É nesse mundo em conflito, permeado de dor e do desejo de poesia, que sua poesia caminha”.

  • img-book
    Poemitos de Airton Paschoa R$ 9,99

    “Nos poemas aqui reunidos, o autor expõe o ritual de uma elaborada desconstrução do cotidiano, do lugar-comum, da melancolia, das ideologias em espiral, dos pesadelos da subjetividade, da loucura encenada, com a gana de/ ir justo até o fim/ o fundo de tudo,/ do poço, do fosso,/ do copo, do corpo.

    Sem medo e pudor, o poeta retira as máscaras de uma poeticidade afetada, blasé, com suas fórmulas do bom poema de ocasião, para tocar no íntimo das palavras, na sua obscura resistência, no seu duro cerne de atrito com o sentido que escapa, até o impasse mais radical, não apenas de uma consciência atormentada, mas que sabe com alguma ironia o destino e o preço da escrita – eu sou o abismo.”

    Excerto de Reynaldo Damazio, em orelha da edição impressa (2013).

  • img-book
    Pororoca-Cabogó de Sara Bononi R$ 9,90

    Cobogó é uma espécie de tijolo perfurado ou elemento vazado, feito de cimento, utilizado na construção de paredes ou fachadas perfuradas, com a função de quebra-sol ou para separar o interior do exterior, sem prejuízo da luz natural e da ventilação.

    Pororoca é vocábulo que advém do Tupi Guarani e quer dizer estrondo, estouro, rebentação. Considerada como a devolução da água doce despejada no mar pelo rio Amazonas, a pororoca provoca estrondo tal, que toda a floresta, como prenúncio, fica silenciosa, aguardando a passagem imponente de suas ondas que podem alcançar altitude de até seis metros, a uma velocidade que pode variar de quinze a trinta quilômetros por hora. Sua causa deve-se à mudança das fases da lua, principalmente nos equinócios quando aumenta a propensão da massa líquida dos oceanos, proporcionando grande barulho. Pode-se prever a pororoca com duas horas de antecedência, pois a força da água vinda da cabeceira provoca um barulho muito forte e inconfundível.

    Forte e inconfundível é também a poesia de Sara Bononi, com seus versos em vazantes de invulgar beleza, a fluírem velozes e contínuos, em direção ao rigor de todas as aridezes de novidade literária, e o vigor de sua escrita atende ao chamado dessas securas, e as dessedenta bem, porque “já não há tempo/para olhar sem nitidez.”

    A autora traz aqui, para compor o título de sua obra, a surpreendente junção dos vocábulos “Pororoca-cobogó”, sugerindo-nos o encontro das águas em poesia respiratória, “por todos os poros” do existir, de modo a “caber em onda/depois de correr vento,/implodir manhã lume de lua,/magia em descompassada rima, Odoyá,/ cabelos da menina.”

    Como um murmúrio convicto de que “o desandar também é caminho”, a poesia de Sara embala cactos sob um sol vigilante da “saudade cultivada junto ao vaso de jasmim”, feito cicatriz silenciosa e rítmica, a respirar pelos pulmões de cada verso:
    “Ser impossível tristeza,/promessa em mármore/reescrita em pegadas na areia,/para em todo verão/ ter chance de sê-la.”

  • img-book
    Profissão: poeta de Armando Freitas Filho R$ 14,90

    Oito longas entrevistas com o poeta Armando Freitas Filho cobrindo um período de 15 anos estão no centro deste livro. Nas margens: uma seleção de poemas organizada pelo próprio Armando e um perfil biográfico do poeta escrito por Francesca Angiolillo.Porta de entrada para o universo poético e íntimo de um dos nomes centrais da poesia moderna brasileira. Labirinto da mente e do coração do artista.Prevendo a tentação de oferecermos este livro como uma espécie de “Armando por ele mesmo”, o poeta avisa: “Não se fie muito em quem introduz o seu próprio conteúdo nesses tempos contaminados e perigosos.” Fica o convite para que o leitor se arrisque nessas páginas de registros e tempos múltiplos.

  • img-book
    Quem sou eu: meu epitáfio de Mayara Lima R$ 4,99

    Em “Quem sou eu: meu epitáfio”, Mayara Lima é humana e artista; procura esclarecer sua própria identidade em versos, encontrando-se em meio às inúmeras facetas experienciadas pelo ser humano na construção de sua identidade. Ora real, está no mundo da literariedade, e é comerciante, psicóloga, doadora de livros para bibliotecas; ora figurada, flutua no ar da linguagem poética e é metamorfose, contradição e contemplação.

    Outra urgência, porém, ligada a da expressão, ressoa aos corações ao longo da humanidade: o de deixar mensagem. O ser humano necessita que o futuro reconheça-o, compreenda o modo como vive e como se socializa. Há a urgência de perdurar ao tempo, que não a matéria, mas a ideia. De chegar a outras culturas e explicar-se, difundir-se, contactar. Levada por essa urgência, Mayara quis jogar uma mensagem ao mar: a de si mesma. Mas não poderia considerar uma mensagem jogada ao mar se não mergulhada nos universos linguísticos possíveis de ancoragem. “Quem sou eu: meu epitáfio”, é então, uma mensagem traduzida para chegar mais longe. Carregada não pelas águas do mar, mas pelas urgências comuns. Mayara está exposta em nome da poesia e da necessidade de se desvendar pela arte. Em diferentes línguas, como se estendesse os braços para alcançar o mais longe possível, recolhesse toda a força de si para lançar a garrafa ao mais distante do mar.

    Assim, esta é uma experiência poética que não espera o leitor; vai até ele, pois se mostra disposta e aberta a qualquer um a qual lhe seja desperto o chamado de conhecê-la, pois fala sua língua. Mayara Lima se define e se apresenta como uma amiga. A arte opera seu melhor milagre: o de lançar a garrafa ao mar e criar pontes, sejam elas entre diferentes praias ou entre diferentes mentes.

    Analice Chaves, poeta

  • img-book
    Regras de fuga de Eleazar Venancio Carrias R$ 7,90

    Coletânea de poemas escritos entre 2008 e 2015, período no qual o poeta personagem usou experiências pessoais – solidão, divórcio, depressão, bebedeiras, homoerotismo etc. – como desculpa para escrever sobre o que considera ser uma condição do homem contemporâneo: um ser permanentemente em fuga de si mesmo. Fuga duplamente impossível, porque, desde já, configura também um retorno, mas um retorno sem objeto. Imerso nessa condição absurda, o poeta personagem não deixa, porém, de entrever os momentos de beleza que, raros mas insistentes, contaminam o caos da vida mundana.

  • img-book
    Segredos e sussurros de Eder C. R. Quintão R$ 14,90

    Esta é a primeira incursão literária do autor. São contos, crônicas e poesias reunidos em uma ‘conversa fiada’ que vai se criando e recriando sem tempo e sem pressa, como na mesa de um bar imaginário. Ao redor dessas personagens da imaginação, o mundo, visto nas suas andanças e nos seus mistérios cotidianos. Os contos são histórias sem qualquer respaldo em fatos ocorridos: são realidades apenas da imaginação. As crônicas são fantasias sobre reminiscências ao longo da vida: algumas ocorreram numa cidade fluminense, nisto apenas emulando Machado de Assis que também colocou na fluminense Itaguaí seu imaginoso hospício.

    Quanto às poesias, ora, estas são humildes jogos de palavras, e seu valor, as emoções que provocarem. São sensações com rimas apenas para lhes conferir musicalidade, enquanto a qualidade fica à mercê do leitor. Rimas conferem um canto – espécie de moldura das frases – enquanto a emoção do poema pode dispensá-las pela sutileza das ideias, pela lógica e o irreparável sentimento de que todo o texto é insubstituível. Quem não sonharia em poetizar como Machado de Assis em sua dedicatória a Carolina unindo perfeição de adjetivos, música da rima e comoções pungentes.

  • img-book
    Sol sobre nuvens de Josely Vianna Baptista R$ 14,90

    “Com arrojo e competência, unindo materialidade plástica e diafaneidade de escritura, plasmando metonímia, metáfora e metalinguagem – fisicalidade “metafísica – a poeta “reamalgama” corpo e alma na matéria da palavra. Ar, Corpografia, Os poros flóridos arejam e aromam a poesia brasileira dos nossos dias.” – Augusto de Campos

    “Locais de destreza e maravilhamento esperam por você nestes cambiantes véus, meadas, dobras, camadas e planos de paisagens humanas escritas, natureza humana descrita até os “distantes limites da coerência”. A impressionante orquestração dos poemas de Josely Baptista e da arte visual de Francisco Faria […] produz declinações sensoriais emolduradas por contidos mas radiantes silêncios. – Norma Cole

    “Josely Vianna Baptista é uma das mais impactantes e inventivas poetas do Brasil contemporâneo, uma escritora de inteligência e profundidade emocional, cujas visões vão do fusco ao fulgor, retornando, depois, ao negror.” – Michael Palmer

  • img-book
    Sopros de Morfeu de Lana Cordeiro Mota R$ 9,90

    A poesia de Lana Cordeiro é sutil como uma pluma de algodão, que se desmancha ao vento. Seus versos flutuam, pairando acima de tudo o que é concretude e/ ou realidade. Por isso, ela escolhe com muita parcimônia o tecido de sua matéria poética: palavras leves, sopradas pelas brisas que moram na  casa dos sonhos. Por testemunha, só Morfeu. Ou aqueles que dormem em cumplicidade com o silêncio.

    Nesse seu Sopros de Morfeu, a poeta tece um monólogo com o “deus” do sono, contando-lhe nuances do seu despertar, de como vê a casa a sua volta, das sensações que os primeiros raios de sol lhe imprimem. Percebe que ao acordar, todas as coisas ainda dormem: os mares, e também as árvores, cujos ventos demoram para assoprar-lhes as folhas. A poesia de Lana não tem pressa e entra em simbiose com todas as coisas da criação.

    O tempo da poesia de Lana também é outro, que não pode ser contado pelos ponteiros do relógio. Ela tanto pode prostrar-se à porta da casa para ouvir os galos e sua impertinência de cantos, por horas ou séculos, como pode ser transportada desse sonho, onde dorme-acordada, para um tempo presente, onde é o estômago que grita, instigado pelo cheiro de café.

    Mesmo assim, ela pousa na realidade por raízes aéreas, não chega de rompante. “calafrios vêm me dizer bom dia”.