Como escrever um livro
5 princípios para escrever um livro
Em 3 de junho de 2020 | 0 Comentários

O que é essencial para escrever um livro ficcional, nas palavras de uma especialista

 

Como escrever um livro, o que é preciso fazer para escrever uma obra literária? Faz muitos anos que sou professora de escrita criativa e, nas minhas aulas, compartilho alguns princípios essenciais que todo escritor ou escritora deve levar em conta na hora de escrever. Então, se você quer fazer literatura, escrever um bom livro de ficção, seja ele um romance, alguns contos ou crônicas, conheça os 5 princípios a seguir:

 

  1. Palavras guiam ideias;
  2. Simplicidade e concisão;
  3. Intencionalidade;
  4. Originalidade;
  5. Estranhamento

 

Lembrando que são princípios e não regras! É importante que isso fique claro. Na literatura não existem regras como existem na linguagem funcional, como no texto jornalístico ou nos livros de não ficção, por exemplo, que devem respeitar as regras gramaticais e regras de conveniência. Na literatura, você pode transgredir, subverter, escrever do jeito que quiser, desde que faça sentido. Se você não for escrever literatura e sim, uma biografia, um livro de história, jornalismo, de negócios, ou seja, um livro de não ficção, este outro artigo vai te ajudar.

Para começar, o princípio fundamental zero é que o escritor deve ler muito. E é importante ler de tudo: desde a literatura produzida agora – a literatura contemporânea – como a moderna e a clássica; conhecer a literatura de seu país e a de fora. Quero incluir também a leitura de jornais, revistas e sites.

Não existe escritor bom que não seja um bom leitor.

A seguir, apresento os 5 princípios para escrever um bom texto literário:

 

1. Palavras guiam ideias

A linguagem literária é diferente das outras que utilizamos, como o bate-papo, o texto jornalístico ou o científico. Na literatura, a forma que se utiliza é tão, ou até mais importante do que os temas abordados.

Quando a linguagem é bem trabalhada, até um tema aparentemente banal pode se tornar atraente e, claro, vice-versa.

E, assim como um escultor deve conhecer o grau de resistência da pedra com a qual vai trabalhar, também o escritor deve saber o grau de resistência das palavras, sua matéria-prima, evitando que elas sejam usadas de forma automática e banal.

 

2. Simplicidade e concisão

Em geral, quanto mais claro, simples e conciso é um texto literário, melhor e mais fluente será sua leitura.

Evite o rebuscamento, o eruditismo, o excesso de explicações e de comentários que acabam por prejudicar a fluência e a organicidade do texto.

Depois do texto escrito, cortar pode ser tão importante quanto a própria escrita. Essa etapa geralmente acontece no momento da releitura e da edição. Um texto que diz mais com menos é, frequentemente, mais potente.

 

3. Intencionalidade

Em literatura, toda palavra, frase ou recurso deve carregar uma intenção. Então, além de eleger palavras, lance mão de recursos com intencionalidade, como foco narrativo, tempo verbal e construção de personagens. Atente também para a pontuação e o tamanho das frases, por exemplo.

 

4. Originalidade

A maioria das pessoas tende a relacionar o termo originalidade às ideias de novidade e de exclusividade. Mas se esquecem que ela, na realidade, vem de origem, mais ligado ao passado e ao lugar de procedência.

Como o passado concorre para a construção de um texto original, cuja marca estilística seja reconhecível por todos? Passado coletivo e individual se combinam – e esse termo é fundamental – com o presente para a criação de um texto autoral.

É possível também mudar a perspectiva convencional de abordagem dos acontecimentos, para que o texto se torne mais original.

 

5. Estranhamento

Escritores, personagens e leitores observam o mundo a partir de pontos de vista distintos.

A prática de distanciar-se daquilo que escreve, inclusive, de si mesmo faz com que o autor atinja o estranhamento de sua própria subjetividade.

Mas o que é estranho? É aquele que não pertence, que está de fora de uma determinada comunidade. O estranhamento é importante para a construção de personagens vivos e complexos. E o texto não fica viciado nem autocentrado, pelo contrário, chega-se a um olhar mais amplo e reconhecível pelo leitor.


Você deve ter percebido que os princípios não são fechados em si. Pelo contrário, eles são interdependentes e, quando pensamos em um, percebemos que ele se relaciona com o outro.

Além disso, o escritor deve ser uma pessoa curiosa, interessada em pesquisar assuntos diversos, assuntos que ele ainda não domina para enriquecer o texto. Eu mesma, fiz uma extensa pesquisa sobre orquídeas – assunto que não tinha a menor familiaridade – para escrever o romance Írisz: as orquídeas (Companhia das Letras, 2015).

O escritor deve ser uma pessoa curiosa, interessada.

Por fim, se você quer saber em detalhes sobre os recursos de escrita criativa e colocá-los em prática para escrever um livro, quero fazer um convite para o curso online “5 Princípios essenciais da escrita de ficção”. São aulas que vão te ajudar a pensar e fazer literatura. Vamos lá?

Noemi Jaffe

Escritora, crítica de literatura do jornal Folha de S. Paulo e professora de escrita criativa. Recentemente, publicou O que ela sussurra (Companhia das Letras).

5 Princípios essenciais da escrita de ficção
Com Noemi Jaffe
R$ 250,00 a 300,00 – 3h de duração

Curso online em 10 aulas – duas para cada princípio – que apresenta recursos de escrita criativa, a partir de aulas expositivas e práticas, sempre acompanhadas de tarefas e feedback.


Imagem @freepik